“Eu não gosto do Ágil” – Uma manifestação útil

Eu não gosto do Ágil – já ouvi isso diversas vezes em empresas em que a Crafters presta consultoria na transição do modelo obsoleto (vulgo “tradicional”) para o modelo ágil.

E muitas vezes não é mera provocação, várias pessoas posicionam-se declaradamente contra o modelo ágil. Uma delas, durante uma reunião de planejamento de projeto, alertou para o seguinte risco iminente:

“Vamos desenhar a integração com um portal de terceiros, mas ainda não selecionamos o fornecedor. E se o fornecedor apresentar um modelo de integração completamente distinto mas que seja muito coerente e até interessante para nós? Daí teremos perdido tempo com o desenho adiantado da arquitetura; ou, se prosseguirmos com o nosso desenho, teremos perdido a oportunidade de adotar a solução ideal.” tweet

Não é difícil perceber o conceito envolvido nesta linha de pensamento:

“Tomar a decisão quando estiver munido de maior quantidade de conhecimento e assim evitar o desperdício.” tweet

Ora, esta pessoa que “não gosta do ágil” apresentou um belíssimo exemplo de pensamento Lean e preferência pela arquitetura evolutiva, conceitos importantíssimos no modelo ágil.

O que estou dizendo é que muitas vezes não é do Ágil que estas pessoas não gostam. Eventualmente, uma investigação pela causa dessa resistência poderia encontrar o verdadeiro motivo desta manifestação “contra”. E eventualmente esse motivo pode ser um problema real, uma ameaça real para a transição.

Ainda que não gostar do ágil possa ser mera falta de conhecimento (o motivo mais fácil de apontar), não descarto a necessidade da investigação. E mesmo que a transição tenha sido uma iniciativa top-down, e não esteja mais aberta a escolha, ainda assim insisto na importância da investigação. No final, podemos até concluir que a manifestação é fruto de uma resistência intransponível e que a saída será a pessoa migrar para uma atividade onde ela não precise ser ágil, mas nem sempre é o caso, e apenas uma honesta e cuidadosa análise da causa poderá nos dizer.

Como agentes da transição, devemos prestar respeitosa atenção a este tipo de manifestação. Entender o motivo dessas manifestações pode servir como ferramenta para a identificação de riscos; e pode trazer, ao mesmo tempo, material para que estes riscos sejam mitigados.